terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O tempo na sociedade tradicional e no mundo industrial

Duas visões diferentes sobre o tempo. O primeiro é um texto do século XV e o segundo do século XIX :

TEXTO 1
"Janeiro olha para o ano passado e para o que está por vir
Fevereiro, o mês mais duro, em que a vida parece parar
Março, em que começam os trabalhos da vinha
Abril, colhem-se as primeiras flores
Maio, 'o tempo está belo e amoroso'
Junho, os trabalhos das terras
Julho, o corte do ferro
Agosto, a ceifa
Setembro a sementeira
Outubro, a vindima
Novembro, mandam-se os porcos às bolotas
Dezembro, mata-se o porco."

GIAUVILLE, Barthelmy de. Le propriétaire des choses (1485). In LE GOFF, J. (Org.) Enciclopédia Einaudi: memória-história. Lisboa: Imprensa Nacional/Casa da Moeda, 1984, p. 284

TEXTO 2

" [...] Na realidade não havia horas regulares: os mestres e gerentes faziam o que queriam conosco. Os relógios nas fábricas eram frequentemente adiantados de manhã e atrasados à noite e, em vez de serem instrumentos para medição do tempo, eram usados como capas para dissimular a trapaça e a opressão. Embora isso fosse conhecido pelos operários, todos tinham medo de falar, e um trabalhador tinha medo de usar relógio, na medida em que não era incomum despedir qualquer um que pretendesse saber demais sobre a ciência da horologia."
Anônimo. Capítulos na vida de um garoto de fábrica de Dundee. (1887). In THOMPSON, E. P. Time, Work-discipline and industrial capitalism. Disponível em http://libcom.org. Acesso em 12 de jun. 2009 (tradução nossa)


Estes textos estão na página 15 do livro "Conexões com a História", Volume 1 de Alexandre Alves e Leticia F. de Oliveira.

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